La Strega di Ravenna


15/05/2008


Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só..."

 

(Florbela Espanca)

 

***

 

--Escrever é o que me acalma, é o que substitui a dor de não conseguir chorar, é o que mantém o resto de sanidade que me resta. Não! Não venha me falar de desejos vãos, não venha parafrasear as justificativas que não tem explicação. As coisas são o que são e só mudam na percepção de quem vê, mas continuam a ser, admita. Tá certo, eu apostei sim. Apostei mesmo sabendo que as regras desse jogo injusto eu não saberia aprender. Mas não venha justificar. Não quero os seus porquês, não me interessam as suas limitações. E tem mais: hoje não tem música, hoje não figurinha, nem pintor famoso, nem qualquer coisa que possa enfeitar o meu dessabor. Mas tem poesia, porque sem poesia a abstração da vida fica difícil e aí não há palavras que bastem, nem garrafas vazias que esperem a madrugada terminar e tampouco conversas tolas que façam a rotina abrandar. Sem poesia, sem poesia não dá.

Escrito por La Strega às 17h37
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13/05/2008





(Cheers Darlin´ - Damien Rice)


Cheers darlin'
Here's to you and your lover boy
Cheers darlin'
I got years to wait around for you
Cheers darlin'
I've got your wedding bells in my ear
Cheers darlin'
You gave me three cigarettes to smoke my tears away

And I die when you mention his name
And I lied, I should have kissed you
When we were runnin' in the rain

What am I darlin'?
A whisper in your ear?
A piece of your cake?
What am I, darlin?
The boy you can fear?
Or your biggest mistake?

Here's to you and your lover man
Cheers darlin'
I just hang around and eat from a can
Cheers darlin'
I got a ribbon of green on my guitar
Cheers darlin'
I got a beauty queen
To sit not very far from me

I die when he comes around
To take you home
I'm too shy
I should have kissed you when we were alone

What am I darlin'?
A whisper in your ear?
A piece of your cake?
What am I, darlin?
The boy you can fear?
Or your biggest mistake?

Oh what am I? What am I darlin'?
I got years to wait...



***


…outro inverno se aproxima, trezentos e sessenta e seis dias depois. Mas, muito embora as noites sejam agora demasiadamente longas para mim, sinto que para ti o hemisfério é outro. E que bom que é assim – yin e yang, completude, uma infinitude de ciclos... Mas, sabes, se eu pudesse, hoje brindaria em tua homenagem. E beberia por todas as coisas não ditas e por todas aquelas que disseram por si mesmas em silêncio um dia. Quem sabe assim eu deixaria estar no fundo do cálice um resto de licor – daqueles inventados no fim da noite, com leite condensado e um pouco de chocolate em pó. Aí sim, eu deixaria estar lá no fundo, com fosse enfim o resto doce das lembranças que a história nos deixou.

Mas sabes que não posso. Não tens nada a dizer. Também eu não as tenho mais: as palavras debulharam-se em símbolos, talvez como manchas de tinta na tela desbotada da minha memória. E então aqueles sanduíches feitos de cream-cracker recheados com margarina nas manhãs de domingo, o tango inusitado em meio às mesas do restaurante lotado e as palavras lascivas escondidas no jardim do convento não passam agora de vestígios deixados pela palheta do Destino.

Mas, brindemos! Brindo eu com o fel do teu esquecimento e brindas comigo com o mel da tua ventura... Brindemos! Eu, aos lamentos dos meus dias errantes. Tu, à certeza das tuas escolhas. Eu... à vida que perdi desde então, tu... à vida que ganhaste, por quê não?

Escrito por La Strega às 18h54
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11/05/2008


 

Para Sempre

 

 

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

 

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

 

(Carlos Drummond de Andrade)

 

***

 

Tudo o que eu sou e tudo o que não me tornei. Tudo o que me ensinou e tudo o que eu refutei. Tudo, metade de ti, tudo, metade fora de ti: isso tudo, mãe, eu sou por tua causa. Orgulhosamente por tua causa. Eu sou um misto de lágrimas e pesares que venturosamente tiraste de mim, um outro tanto de molecagens que fizemos juntas e um resto de segredos e silêncios que aprendemos a guardar. Sou o que sou por tua causa, mãe. E me orgulho, imensamente, de ser tua. Tua filha, tua amiga, parte de ti!

 

 

Feliz Dia das Mães!

Que a Deusa nos proteja em seu ventre, hoje e sempre...

 

Escrito por La Strega às 20h42
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