La Strega di Ravenna


01/07/2008





(U2 – With or without you)


See the stone set in your eyes
See the thorn twist in your side.
I wait for you.
Sleight of hand and twist of fate
On a bed of nails she makes me wait
And I wait without you


With or without you
With or without you.


Through the storm, we reach the shore
You gave it all but I want more
And I'm waiting for you


With or without you
With or without you.
I can't live with or without you.


And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away.


My hands are tied, my body bruised
She´s got me with nothing to win
And nothing left to lose.


And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away.


With or without you
With or without you
I can't live
With or without you.


With or without you
With or without you
I can't live
With or without you
With or without you.


Não. Não há um único dia sem você aqui. Tem um pouco de você no resto de Nescau que insiste em permanecer na gaveta – mesmo que chocolate não seja o meu forte. Tem um pouco de tédio nos seus olhos, toda vez em que eu me olho no espelho. E não há um dia sequer em que eu não deseje sentir uma coisa ou outra – mas não é bem assim.

Não há dentro de mim uma coleção de potes separados e identificados como amor, ódio, saudade, desprezo ou desejo. O que existe é um imenso caldeirão onde tudo se mistura. E no fundo, é melhor assim. Ao menos não há culpa em querer e repelir tudo o que venha de você. Posso sentir falta do seu bocejar engraçado logo pela manhã ao mesmo tempo em que morro cada vez que me lembro do seu abandono. E essa noite, não foi diferente. Sonhei contigo (mais uma vez, mais de uma vez). Acordei às duas, puxei para mim o edredon, estiquei as pernas, fiquei com calor. Liguei a TV, desliguei o abajour.

Você estava lá, e eu me rendi (...)

Escrito por La Strega às 18h56
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30/06/2008


 

"Qualquer caminho leva a toda a parte
Qualquer caminho
Em qualquer ponto seu em dois se parte
E um leva a onde indica a estrada
Outro é sozinho.
Uma leva ao fim da mera estrada. Pára 
Onde acabou.
Outra é a abstracta margem
......
No inútil desfilar de sensações
Chamado a vida.
No cambalear coerente de visões
Do [...]
Ah! os caminhos estão todos em mim.
Qualquer distância ou direcção, ou fim
Pertence-me, sou eu. O resto é a parte
De mim que chamo o mundo exterior.
Mas o caminho Deus eis se biparte
Em o que eu sou e o alheio a mim
[...]"

 

(Fernando Pessoa)

 

***

Os sapatos abandonados sempre me intrigaram. Um pé de um lado da rua e o outro mais à frente, duas ou três quadras adiante. Quando são um par assim, eles me intrigam ainda mais. Quê diabos aconteceu a esse infeliz para deixar os dois pés abandonados desse jeito? Fico imaginando a história... estaria bêbado de tal maneira que enjoou dos sapatos e preferiu voltar à casa com liberdade nos pés? Há também a típica sandália feminina - daquelas que deixam os dedos à mostra, próxima à esquina, solitária... E dessa vez, o que será que aconteceu à pobre diaba? Saiu correndo para não perder o ônibus e acabou perdendo o pisante na pressa? Foi abduzida por seres alienígenas ou talvez... fugiu de uma perseguição alucinante entre amante e namorado? E há ainda o tênis lançado aos fios elétricos que ligam um poste a outro. Criança... coisa de criança na certa!

 

Enfim, são histórias que não me pertencem - mas que eu deliciosamente subtraio para mim, na esperança de fazer do mundo alheio algo mais interessante e desesperador que a minha própria incerteza. Há um quê de acalento, há de alguma forma um sabor doce de ilusão...

 

Penso nos sapatos perdidos por aí.

Penso na infinitude de caminhos que posso percorrer, nos sapatos que deixarei ficar, naqueles que abandonarei e nos outros que decidirei manter - guardados, esperando por novas ou talvez nulas caminhadas...

 

Escrito por La Strega às 12h47
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