La Strega di Ravenna


17/07/2008





(SOAD – Lonely Day)



Such a lonely day
And its mine
The most loneliest day of my life


Such a lonely day
Should be banned
This day that I can't stand


The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life


Such a lonely day
Shouldn’t exist
A day that Ill never miss
Such a lonely day
And its mine
The most loneliest day of my life


And if you go, I wanna go with you
And if you die, I wanna die with you
Take your hand and walk away


The most loneliest day of my life (…)


Such a lonely day
And its mine
A day that I’m glad I survived



Somos eu, a tarde quente detrás da janela azul, uma xícara de café pela metade descansando sobre a mesa e uma blusa de mangas compridas que me remete a uma tola sensação de que posso estar constantemente abraçada. Um dia que não passa nunca. Eu e mais quatorze pessoas. Eu e o telefone que não se cala, eu... e as decisões que eles extraem de mim todo o tempo, mesmo que desde a última madrugada fria até o alvorecer ainda mais gélido, eu só tenha desejado exterminar a maturidade. Pudera eu ser pequena de novo, pequena como Isabela, pequena como qualquer coisa sem grandes desejos, pequena como um punhado de dobrinhas e com cheiro de leite.

Mas não importa quão traiçoeira tenha sido a noite, irrelevante é a vontade de estraçalhar o despertador e mandar o relógio de ponto ao diabo. Hoje não tem sessão da tarde e também não tem Todinho. Hoje é dia de bater ponto, como qualquer dia no meio da semana. E de uma vez pro todas, não, não interessa se há no peito um desalento tão grande que chega a encobrir a falta que fez aquela ligação às dez da manhã, perguntando se estava tudo bem (mesmo que obviamente não estivesse). Bobagens... pequenas bobagens que fazem da gente um ser humano melhor.

Eu e mais tanta gente... mas a quem importa?

-- Não leva a mal, vai. É que agora não dá. Você me entende, todo mundo tem problemas.
-- É... eu tô ocupado, cansado, distraído, sei lá. Depois a gente conversa, pode ser?



***

Precisa não.
Importa não.
Um dia a menos, uma gelha a mais.
Eu e mais quinze.

Eu... e mais ninguém.

Escrito por La Strega às 17h23
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14/07/2008





(Gov´t Mule – Time to confess)


”Only the darkness can keep you warm
On an evil night like this
Are you looking for some one
To give your little arm a twist
Everybody needs some danger sometimes
I'm no different
Just think of me as your equal
I won't undress you
I won't hold you down
I won't stick a knife in your back

The way you did that clown


Can you feel it - can you taste it
Yeh, you must've seen it coming
Surely you could've guessed
The game is up
I'm gonna' take you down
No more crying
I think it's time to confess



You better pray for a miracle
Or you better pray this never ends
I, myself, can play the victim
I'll do whatever the part demands
You saw me watching you
You had time to run
Ain't it enough that you torture me
You had to go for his gun


Can you feel it - can you taste it
Yeah, you must've seen it coming
Surely you could've guessed
The game is up
I'm gonna' take you down
No more crying
I think it's time to confess


You won't see no bright lights burning
But you'll feel the heat
This is what happens
When strangers turn to lovers turn to enemies



Can you feel it - can you taste it
Don't look at me that way
With that blood on your dress
The game is up
I'm gonna' take you down
No more crying
I think it's time to confess”

***

Há algo de diferente aqui, desde que a escuridão se foi. A cicatriz – estranhamente eu diria, acabou deixando uma marca bonita, como se fosse uma daquelas tatuagens que a gente faz na adolescência e se lembra com carinho sempre que o espelho se revela. E tem um quê de brilhante também, algo pequeno mas de uma luz intensa, qualquer coisa como uma fagulha pronta a tornar-se um vulcão ao mais simples dos estímulos.

A minha força, ao que tudo indica, Ela voltou enfim.

E é engraçado como demorou tanto tempo para perceber o sussurro Dela nos meus ouvidos, todas as noites antes de dormir. As vezes Morrigan, outras vezes Rhiannon. Corvos e cavalos brancos vieram ter comigo até que eu percebesse que nada foi bom ou ruim em si mesmo: Ela,a Grande Tecelã, trama com cuidado os equinócios e solstícios que precedem as colheitas e é assim que se percebe que o caos organiza o todo e que a destruição é que inicia o recomeço.

A minha força... sim... Ela voltou enfim.

Escrito por La Strega às 11h47
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